Bundesliga

maio 14, 2009

Entao que fui pra Escócia, viagenzinha que eu tava planejando fazia uns meses ja. Como no mes de abril eu tava trabalhando menos (credit crunch, credit crunch…) deu para pegar folgas de meio de semana e ir. A ideia era so ir a Edimburgo, que eu ja tinha ouvido falar que era uma cidade fantastica. Mas ai deu uma brechinha e acabamos indo tambem para Inverness (ao norte da Escócia), numa trip que passa pelas inumeras montanhas e lagos (os famosos lochs) escoceses. No final da viagem chega-se ao vilarejo de Inverness, famoso por abrigar o nao menos lendário Lago Ness. O frio estava bastante intenso, mas nada que apavorasse depois do inverno que tivemos aqui em Londres e do reveillon congelante em Paris. Fora isso, na terra do whisky sentir frio eh para quem quer. As fotos, como sempre, sao bem mais legais que este relato, entao vai la dar uma espiada. So pra contextualizar, as outras pessoas da caravana sao: Ju e Carlota, amigas de POA, Catito (mora aqui em casa) e o Fabio, um brasileiro que encontramos perdido la em Edimburgo, fazendo mochilao sozinho pela Europa. A parceria que faltava. A diversao foi garantida, incluindo ressaca geral no bus pra Inverness e cidades belissimas, superando bastante minhas expectativas.

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Aqui em Londres esta tudo as mil maravilhas, sigo trabalhando no restaurante posh frances/ingles no bairro mega-ultra-posh-frances. Com a diferenca que agora eu tenho que atender algumas mesas francesas (ui). Alem deste, recomecei a trabalhar no restaurante da House of Fraser, agora como supervisora de floor staff, ou seja, meio que coordeno os garcons e bartenders. Isso tem me rendido semanas de 7 dias de trabalho e bastante, mas bastante correria.

A crise atingiu bastante diversos setores da economia aqui na cidade, especialmente lojas e restaurantes, o que resultou num Natal fraco para o comercio e um inicio de ano incerto. Mas com a chegada do verao que se aproxima por aqui, a tendencia eh melhorar bastante, ate porque os ricos mesmo nao se abalam com crisezinha mundial (acreditem, eles no maximo caem do super luxo para o luxo). A partir de marco a situacao comecou a dar uma leve melhorada e o dinheiro recomecou a encher os caixas das areas de entretenimento e catering.

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Mes que vem se tudo der bastante certo, tiro minhas ferias oficiais, pois desde que cheguei em Londres nao tive ferias ferias, so folguinhas negociadas aqui e ali. Ai devo receber minha mamis e qua (GOD HELP!) minha irma amada. Ai pode ser que eu viaje de novo para algum outro canto.

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Gisele Bundchen casou. Como sempre, no auge da minha desatualizacao constante, fiquei sabendo so agora. E casou com este SER. Eu sabia, eu SABIA que ela jamais me decepcionaria. Very well done!

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Ah sim, e um ultimo mas nem um pouco menos importante acontecimento. Depois de Sienna Miller, Tom Cruise e nomes do esporte, quem que ADENTRA meu restaurante e para ha 56 centimetros de mim? Ele, o deus da selecao alema e dos gramados chelseanos: Michael Ballack. Preciso dizer que precisei ser acudida pelo meu barman?

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Obrigada Londres!!


25 coisas aleatorias sobre mim

abril 17, 2009

 

Interessante esse joguinho que vi no facebook da Jousi, se nao me engano. Eh para escrever 25 coisas (?) sobre a gente mesmo. Como eu nao faco ideia que coisas sejam essas, resolvi falar sobre as 25 coisas que eu acho mais interessantes e/ou curiosas. La vai.

 

1-    Nasci prematura de seis meses. Sim, seis. Fiquei dois meses numa encubadora, pesando de inicio cerca de 900g, e recebi nota 1 no teste de apgar (que mede as funcoes vitais do recem-nascido). Basicamente, so meu coracao batia. O medico disse que eu tinha remotas chances de sobrevivencia e meus parentes vieram todos me ver antes que eu morresse. Sobrevivi, uhul.

2-    Por conta de ter nascido muito antes, tive asma na infancia, sou alergica e tenho ossos e musculos muito fracos. Isso me rendeu tres cirurgias no joelho esquerdo e eternas dores nas pernas. Tambem nao posso fazer mais esportes (parei aos 15), somente natacao e bicicleta estao liberados.

3-    Outra heranca (nao tao ruim) eh a magreza. Sempre fui muito, mas muito magra. Quando crianca ouvi todo tipo de piada que possam imaginar e muitas maes de criancas rechonchudas achavam que eu era doente. Apesar da ma formacao ossea, sempre fui muito saudavel e ativa. O medico disse enfaticamente para minha mae: tu pode dar suplemento alimentar pra ela, mas provavelmente ela vai ficar gordinha e ter problemas de peso na vida adulta. Sabiamente, minha mae nao me deu nada e sempre fui magra sem esforco.

4-    Fui atleta de natacao dos 9 aos 15 anos. Comecei quando crianca para tratar a asma (que jamais voltei a ter) e dai parti para competicoes. Minha rotina era durissima: 3 horas de treino de segunda a sexta, mais dois treinos aos sabados (8h e 15h). Alem da piscina, fazia musculacao e alongamento rigorosamente. A alimentacao era controlada nas epocas de competicoes, e viajava quase que mensalmente para competir dentro e fora do estado. Ganhei dois titulos estaduais (em 95 e 96) na prova de 800 metros nado livre. Um deles, por menos de um segundo, gracas ao tamanho avantajado dos meus bracos. Fui nadadora fundista, ou seja, nadava provas de fundo, 400 e 800 metros livre. Nadava tambem o 100m costas e os 100m e 200m medley. No revezamento medley, nadava costas e no livre eu abria ou era a segunda. Apesar de muito puxada, gostava da minha vida de atleta.

5-    Sou descendente de indios por parte de pai. Meu avo nasceu no interior do Piaui, filho de uma india com um marinheiro portugues. Por conta disso, sou mais morena que minha mae e minha irma, por exemplo. E sou a cara (e mais um monte de coisas) do meu pai. Os da familia da mae sao catarinenses nascidos numa vila de pescadores no interior de Laguna. Todos muito claros (alguns loiros), de olhos claros. Sou mestica, bem brasileira: mistura de indio com portugues. E adoro!

6-    Tanto por parte de mae como de pai, tenho uma origem muito humilde. Nunca tive nenhum tipo de luxo e passei por muitas dificuldades na infancia, principalmente. Nao viajei pra Disney com 15 anos, nao ganhei carro com 18 e nao vou ganhar apartamento com 25. Por conta disso, comecei a trabalhar muito cedo, aos 16 anos. Primeiro, como professora voluntaria (recebia doacoes) na Escola Estadual Paulo da Gama (na rua do Presidio Central). Depois, aos 17, vendi roupa contrabandeada de Sao Paulo, de marcas gra-finas, Ellus, Forum, Polo e Lacoste. Aos 18 fui picareta (comprava e revendia carros velhos/usados) e trabalhei dando aula particular de portugues e ingles. Aos 19 comecei a trabalhar na Dell Computadores, de onde sai com 23.

7-    Ganhei meus primeiros mil reais limpinho quando tinha 20 anos. Com 22, recebi num mes mais de 4 mil reais. Trabalhava com vendas (sempre fui negociante) e recebia comissao. Larguei o conforto para morar fora.

8-    Decidi que um dia viria morar em Londres quando tinha 15 anos, mesmo ano em que decidi tambem que colocaria um piercing na lingua. O piercing eu coloquei com 22. A viagem para Londres aconteceu aos 25, exatos dez anos depois, quando juntei o dinheiro necessario.

9-    Me formei em Publicidade e nao pretendo trabalhar na area. Ja trabalhei e nao gosto. Fiz uma faculdade para ter um diploma, nao necessariamente uma profissao ou um cargo. Gosto eh de trabalhar diretamente com pessoas e jamais faria outra coisa da minha vida que nao trabalhar com clientes. Nao me acho exatamente talentosa para isso, mas sim esforcada e um tanto perfeccionista. Alem de ter uma boa dose de persuasao e empatia. Gostava do clima de agencia, mas atravancado demais. Meu negocio eh o front.

10-  Aprendi ingles meio que sozinha. Tava ameacada de rodar na setima serie porque tava indo mal na materia. Resolvi que nao so ia passar como ia entender do negocio. Estudei e amei. A partir dai, sempre procurei me aprimorar cada vez mais no idioma (quando a gente gosta mesmo, aprende sem tanto esforco). Sempre prestei atencao em musica e filme e tinha facilidade em absorver vocabulario. Depois, dando aulas e estudando no CCAA (fiz 2 semestres), aprendi mais. Mas a maior evolucao foi quando trabalhei no setor de contas globais corporativas na Dell, em que tinha uma rotina absolutamente bilingue: chefes e clientes estrangeiros, emails, conferencias e telefonemas em ingles. Foi pelo meu ingles, e so por ele, que fui promovida para trabalhar la.

11-  Tive apenas dois namoros oficiais, o primeiro aos 16, que durou quase cinco anos. No entanto, tive muitos amores, historinhas e paixoes, ate platonicas. Gosto de todos e guardo lembrancas com muito carinho.

12-  Quando em Porto Alegre tive dois psiquiatras e uma psicologa. Um psiquiatra somente para tratar das minhas crises de panico, que infelizmente apareceram em 2007 (ano xarope, credo). O outro para assuntos de ordem geral: stress, ansiedade, falta de concentracao e hiperatividade. E a psicologa para terapia, para assuntos do intelecto e do coracao (oh, que lindo!). Tomei alguns remedios bem pesados e nao recomendo nem um pouco, pra ninguem. Hoje nao tomo nada, nem juizo.

13-  Tenho ansiedade cronica e TDAH (transtorno do deficit de atencao e hiperatividade), diagnosticados pelo psiquiatra. Tomei Ritalina um tempo e ansioliticos outro tempo. Mas prefiro fazer esportes, festas, amigos e trabalhar muito, pra descarregar tanta energia.

14-  Comecei a fumar com 13 anos, provavelmente para me aparecer pros outros, e fiquei com este habito durante muitos anos. Parei algumas vezes, diminui outras e ja fui fumante inveterada, principalmente na epoca da Dell, em que minha vida era um mar de stress. Decidi que aos 25 eu ia parar. E parei. Paradoxalmente, comecei a beber mais tarde, pra mais de 20 anos e nao tive porres na adolescencia. Compensei depois. Ja usei outras drogas, com responsabilidade, e acho um perigo as pessoas se arriscarem com isso. Eh divertido num primeiro momento, mas nao vale a pena, definitivamente.

15-  Estudei no Colegio Tiradentes da Brigada Militar no segundo grau. Fiz um vestibular que contava com cerca de mil candidatos para 60 vagas. Primeiro havia uma prova fisica, em que era necessario correr 2km em 12 minutos (fiz em 9, hehe). Ainda tinha que fazer 30 abdominais remador em 1 minuto e dez apoios sem joelho (ui). Depois, prova teorica de portugues, matematica e redacao. Passei, e durante tres anos, estudei e tive regime militar. Formaturas militares diarias a partir das 7h30, desfiles militares no 7 e 20 de setembro e formatura de graduacao tambem militar. Quem ja foi la em casa viu fotos minhas fardadinha, bem querida, hehe. Foi uma escola pra vida.

16-  Sou completamente apaixonada por praia. Nao apenas a praia em si, mas sobretudo pelo mar, pelo vento da praia, pela natureza que cerca. Adoro mato, adoro acampar, adoro indiada pra praia. Acredito que sou muito ligada aos elementos da natureza, sao eles que me trazem energia. E a agua, sem duvida nenhuma, eh o que mais me faz bem. Depois de um bom banho de mar, num dia bem lindo e ensolarado, nada, mas nada mesmo eh capaz de me abalar. Alem disso, fui criada um pouco na casa da minha vo, na vila de pescadores em Laguna. E la era pe no chao batido e praia o dia inteiro. Sou india, adoro isso. E convivi muito com a pesca tambem, limpar peixe e camarao, pegar marisco na pedra, cuidar a mare. Sou sim um pouco bicuíra (ou caicara, como queiram).

17-  Assim como amo a praia, amo o calor e o verao. Detesto, DE-TES-TO frio. Odeio andar lotada de roupa. Odeio nao ter vontade nem de sair de casa porque ta cinco graus na rua. Odeio a pele seca, desbotada, esbranquicada do inverno. Odeio nao poder ficar ao relento de noite com uma cerveja na mao, Odeio ter que andar encolhida de frio, encurvada, nao poder apreciar o mar, a sombra fresquinha de uma arvore. Odeio levantar cedo no inverno e pegar vento e chuva logo de manha. Frio eh pra quem gosta de comer e dormir e ponto.

18-  Outra paixao eh a musica. Escuto muito e aprecio muita coisa diferente, mas jamais digo que sou ecletica. Alias, detesto. Ecletico eh ouvido de penico. E adoro musica velha, sou apaixonada por Doors, Led Zeppelin, Beatles, Elvis, Raul, Secos, Mutantes, Cartola. Adoro as mulheres tambem: Piaf, Billie Holiday, Elis, Nara, Bethania, Clara Nunes. Sou viciada em reggae, amo Bob Marley. E o samba, claro. Esse pega no meu sangue e ai nao tem volta. Musica brasileira, sem duvida nenhuma, eh uma das minhas grandes paixoes.

19-  Nao tenho nenhum talento pra nada. Nao sei escrever, nao sei tocar, nao sei cantar, nao sei dancar. O que eu queria mesmo era tocar percussao numa roda de samba. Provavelmente ainda vou.

20-  Sou apaixonada por quatro cidades: Londres, Buenos Aires, Florianopolis e  Rio de Janeiro. Tambem por Paris, mas Paris nem parece de verdade, eh quase uma pintura. Ai tambem entra Amsterdam, que nao eh mais bonita que Paris mas tem uma alma incrivel. Ja quase morei em Brasilia e ja pensei em me mudar pro nordeste, pra Floripa e pra Sao Paulo. Acho que pra alguns desses lugares eu ainda vou.

21-  Nao pretendo ter filhos. Talves nem casar eu case. Sou muito independente e tenho medo ate de relacionamento. Morar junto com outro cara me da arrepios. Filhos entao, eh uma realidade completamente inimaginavel. Mas minha irma sim, vai casar (ja casou!!) e ter muitos filhinhos, morar numa casa grande na zona sul, cheia de cachorro. Ai eu vou la visitar.

22-  Tenho muitos complexos em relacao a minha aparencia. Ja fui muito pior, mas muito mesmo. Sempre quis ter perna grossa, por exemplo. Hoje acho bom e acho que serei uma coroa enxuta (nao reparem, eh a crise dos 26).

23-  Sou completamente ligada a minha familia e meus amigos. Sou daquelas pessoas que se doam demais pros outros, esquecendo ate de si. Sou muito fiel em todas as minhas relacoes e defendo quem eu gosto ate a morte com uma lixa de unha (como diria a Pree). E minhas amizades parecem namoro: tem briga, tem ciume, tem altos e baixos. Por conta disso ja fui acusada de ter tres namoradas: a Raquel, a Marina e a Caramelo. Nao que eu nao ache elas bom partido, mas realmente nao namorei, hehe. As viagens que eu fiz com a Marina em 2006 (Sao Paulo, Argentina e Chile) foram umas das mais legais da minha vida e ficamos muito proximas. E olha que a Marina eh uma pessoa dificilima. Mas eu sou muito relax, dai compensa.

24-  Sou gremista fanatica, assim como minha familia inteira, por parte de mae e pai. Comecei a frequentar o Olimpico com 6 anos e desde entao eh religiao. Ir ao Olimpico domingo, la em casa, eh como ir na igreja: sagrado. Minha mae faz parte do nucleo de mulheres gremistas e trabalha para o Gremio em diversas atividades, viaja para os jogos, ajuda na Geral do Gremio etc. Meus avos sao fanaticos de ter bandeira na sala de casa. Minha irma tem quase uma loja de roupa do Gremio pra vestir. Sou daquelas que grito, esperneio e choro. Ja briguei feio por causa de time varias vezes. Hoje sou mais controlada e consciente. Frequento, junto com minha mae, tia, minha irma e primas, a Geral do Gremio desde 99. Cai 2 vezes na avalanche e ate pouco tempo atras tinha uma cicatriz na perna. Minha mae vai em todas as avalanches e nunca caiu. Mas ela eh bem mais esperta que eu, hehe.

25-  Tenho um orgulho animal da minha familia e da historia da minha vida. Tenho uma irma que eh linda de perder o folego, querida, inteligente e muito batalhadora. Tenho pais fantasticos (honra ao merito para minha mae, o ser mais maravilhoso da terra). Tenho um pai que me ensinou bons valores, me mostrou os caminhos e me apoiou sempre.  E tenho uma mae que eh uma pessoa incrivel. Amo eles mais que tudo. Apesar de toda buraqueira da estrada da minha vida, olho pra tras e sinto um puta orgulho das minhas conquistas. 


Manchesti Unáit

fevereiro 13, 2009

 

Por favor, faz um favor pra ti e OLHA este video da entrevista do Anderson (ex-Gremio, fez o gol da vitoria nos Aflitos), como jogador do Manchester United. Olhem que ingles bonito. Olhem a destreza, a clareza de ideias, a pronuncia, o vocabulario.

 

LINDO.

 

 

 

Obrigada, Caramelo.

 

 

 


Ainda sobre Paris

janeiro 31, 2009

 

Carol Bensimon escreveu um post sobre mim/minha passagem por Paris, no blog da firma. Serio, eu jamais imaginaria que ela fosse escrever sobre isso no seu espaco e muito menos que minha visita fosse faze-la refletir como refletiu. E de maneira tao bonita. Morar no exterior, alem de ser uma experiencia unica e incrivel (um dia vou escrever sobre isso), mexe muito com o imaginario e o sentimento das pessoas. Transcrevo abaixo. Karine vertera lagrimas, que eu sei.

Amizade itinerante

Há algumas semanas, uma brasileira esteve aqui. Chamarei-a de A. A. é falante, animada, mora em Londres. Não nos vemos muito em Porto Alegre, a não ser quando uma amiga em comum tinha, em Porto Alegre, algum motivo para reunir um bom número de pessoas. A. entrou em contato, dizendo que estava em Paris por uns dias, vamos sair e etc. Lá fomos, com mais duas brasileiras (que eu não conhecia), e um enfermeiro francês em final de noite. Foi uma bela noite, gelada, em que todos os franceses estavam simpáticos, talvez pelo ano que recém virava, e não se contentavam à relação padrão de quem presta um serviço, faziam piada, desejavam bonne année, e um puxou papo no metrô, queixando-se da baixa temperatura, e achando que Guadalajara era no Brasil. Foi boa, a noite. O frio, verdade, era muito, os pés, embaixo da dupla camada de meias, estavam congelados, mas aliviava-nos entrar nas sex shops de Pigalle, cair em ruas sem saída, ver, sobre nós, o Sacre-Coeur todo iluminado, e finalmente depois descobrirmos uma creperia fantástica, de decoração curiosa, de boa comida, e com um piano pra lá de minimalista tocando.
Creio que foi quando saímos de lá, com J., o francês (mostrou-nos alguns cantos escondidos de Montmartre, e também a casa de 1926 construída para Tristan Tzara), que me veio o insight sobre as amizades itinerantes.
Morar aqui é estar sozinha a maior parte do tempo. Não porque os franceses são especialmente chatos e fechados, mas porque, bem, não foi o lugar que nasci, e portanto não é aqui que está a família, os amigos de infância, os da faculdade, enfim. Sim, morar aqui é bem solitário. Por outro lado, faz com que eu experimente um fenômeno curioso, e extremamente recompensador: as amizades itinerantes. Porque há sempre alguém vindo para Paris, amigos ou meros conhecidos, e eles entram em contato, combinamos de sair, e temos momentos bonitos, de uma troca curiosa: para eles, deve ser bom encontrar alguma ilha conhecida no meio de um território que, às vezes, dá um choque cultural bem forte, e também ver como essa pessoa – tão semelhante a eles – está se comportando e sobrevivendo no meio disso daqui, e o que ela tem pra mostrar. Para mim, é ótimo exercer um pouco de portoalegrismo, só pra variar. Mas, paradoxalmente, o efeito mais forte que me causam esses encontros é o de uma espécie de confirmação de que sim, estou morando aqui. São as horas em
que sinto que eu e Paris estamos mais próximas da comunhão.

Carol Bensimon, no blog Paris 75004


Vale, vale!!

janeiro 27, 2009

 

Breathe, breathe…

 

 

Na corrida porque meu fish & chips ta no forno e depois vou trabalhar.

 

Ano passado tinha aproveitado uma promocao da Ryanair (que Deus a abencoe) e comprei uma passagem pra Barcelona, nem sabendo direito se poderia ir, se teria folga, etc. No entanto, ajeitando daqui e dali, consegui me organizar para embarcar, ate porque a Karen morando la me ofereceu de muito bom grado hospedagem no seu apartamento.

 

Amanheceu em Barcelona na sexta-feira e tive a certeza, pelo imenso sol que eu via pela janela, de que essa viagem valeria a pena. O passeio comecou pelo Parque Guell (cujas fotos eu perdi) e depois pelo Parque da Ciutadella. Ai a primeira caracteristica da cidade que me agradou: a quantidade de coisas para se fazer ao ar livre, devido ao clima favoravel, mesmo no inverno. Alias, que inverno agradabilissimo. De dia, temperaturas na faixa de 12, 15 graus, de noite caia pra 8, super tranquilo, vindo de -7 em Paris e -2 em Londres. Dava pra fazer tudo sem morrer de frio.

 

Sabado foi o dia mais agitado, passeio pelas ruas do centro, pelas casas de Gaudi, parque de Montjuic, que nos brinda com uma vista belissima da cidade, e, claro, o melhor de tudo, as praias de Barceloneta e San Sebastian. So de chegar na praia a energia ja muda. Sentei no calcadao, depois tomei cerveja, cafe, almocei, fui caminhar na areia. Um dia lindissimo de sol, o pessoal bonito, saudavel, dando uma corridinha na praia, super clima bom.

 

Um ponto importante a ressaltar eh que Barcelona no inverno eh baixa-temporada, entao alguns lugares fecham (Casa Mila e Fontes Magicas, por exemplo) e a cidade vira um imenso canteiro de obras. Quem eh muito ligado nessas coisas de construcoes turisticas, tem que se prevenir e ir no verao.

 

Ainda no sabado fomos a uma festa na regiao da Sagrada Familia (cujas fotos tambem perdi). Alem da Karen e roommates, tivemos a companhia de outra brasileira, um colombiano e uma francesa (ah, as francesas…) que era um doce de criatura.

 

Domingo foi reservado a um passeio no Parque Tibidabo, um pouco mais distante do centro e com acesso via funicular (ou carro). A vista la consegue ser melhor que a vista do Parque Guell. Eh lindo, fica bem no alto do morro, tem um parque de diversoes e trilha pra fazer no mato. Tu subindo bem la em cima, tens a melhor vista de Barcelona.

 

Na segunda fui ao estadio do Barca (Camp Nou) para comprar uns regalinhos para o meu primo fanatico (e quem la em casa nao eh doente por futebol?). Nao quis fazer visita guiada ao estadio porque nao acho graca nenhuma, como ja disse, em estadio vazio. Na saida, fiquei ali pelo suplementar vendo o treino do jogadores. Ai valeu mais.

 

A tarde voltei a praia, que era de onde eu jamais deveria ter saido! Que tarde fantastica! A agua estava ainda mais azul, o vento diminuiu, o que deixou o mar bem flat e bonito. Caminhei bastante por ali, conversei com uns gauchos perdidos, e por fim fui assistir a apresentacao ao ar alivre do melhor cantor de rua que eu ja vi na vida: Joey! Parecidissimo com o Keith Richards mas com uma voz estilo Bob Dylan. O repertorio variava entre o proprio Bob Dylan, Van Morrison e Eric Clapton. Depois ele ainda deu uma palinha de Paul McCartney. Quando ele parou, fui conversar com ele e descobri que era irlandes e ja tinha morado em muitos lugares na Europa, inclusive em Londres. Ali cheguei ao meu climax de Barcelona (toda viagem tem o seu): sentada ao sol de fim de tarde, na marina de Barcelona, ouvindo Bob Dylan. Nem lembrei que nao tinha visto a Casa Mila por dentro J

 

Outra coisa legal foi que finalmente consegui falar (e entender!) espanhol. Quando viajei com a Marina pelo Chile e Argentina era uma catastrofe, nao conseguia falar nada, ela tava sempre falando por mim e dessa vez a coisa foi. Fora que o sotaque argentino eh ruim que doi, ne?

 

O meu frances, que empacou e nao melhora nem com banda de musica, ficou pra tras do espanhol, depois dos meus quatro dias em Barcelona.


Paris – Reveillon

janeiro 27, 2009

 

 

Ano-novo em Paris, sem mais. Eu, que ia passar a virada aqui em Londres mesmo (o que nao eh de todo ruim, vamos combinar), acabei indo parar em Paris, devido a um convite de ultima hora, de uma guria minha vizinha de predio que eu nao conhecia. Explico melhor: quem conhece minha mae sabe o poder social que ela tem. Trilhoes de amigos e trilhoes de atividades e redes sociais. Ai ela resolve mandar uns mimos de mae pra mim aqui (sabonetinho johnson, haha) e manda por esta vizinha, que eu jamais havia visto em todo o condominio. Ela chega e nao so traz os mimos como a entrada livre em um apartamento emprestado a duas quadras da Notre-Dame. Obrigada, senhor.

 

Assim, passei um dos reveillons mais legais da vida, com direito a, bebada, desejar “bonne anne!” e dizer “je t’aime” para os pedestres na Champs-Elisees. A parte “ruim” foi o frio de menos sete graus. Subi a Sacre-Coeur as dez da noite com a Carol Bensimon (para inveja branca de Karine Krug) e achei que fosse morrer congelada. Eu, com toda esta imensa camada adiposa que tenho para me proteger do frio, estava amando…

 

Mas mesmo no frio polar, Paris impressiona mais no inverno do que no verao. Se no verao as Tuleiries, a Torre Eiffel e demais arredores ficam lotados de adultos, criancas e ambulantes, no inverno a paisagem eh bem mais bucolica. Meia duzia de gato pingado se arriscando a caminhadas vespertinas a beira do Sena, poucos vendedores e uma paisagem incrivel. Nesta ida ainda visitei as Galeries Lafayette, que tinham ficado pra tras quando fui no verao. Logico que eu ainda prefiro a Harrod’s aqui em Londres, mas ainda sim, eh linda demais se visitada a noite. Ainda passeei por Montmartre a noite de novo e jantei com a Carol, o namorado e minhas vizinhas numa creperia bacanissima la pertinho da Sacre-Coeur. A parede era lotada de bilhetes, notas de dinheiro e demais bugigangas que os turistas escrevem em post-its e colam por tudo. E la dentro tava quentinho, bem quentinho, hehe.

 

Nao subi a Torre Eiffel porque nao estava com nem um pouco de vontade de morrer de hipotermia, mas as gurias subiram (dias antes de eu chegar) e foram enfaticas: nao subam, ou morrerao congelados. Para isso, o verao eh duzentas vezes mais indicado. Ate porque, passei calor afu em Paris no verao e subir a torre foi tao fresquinho…

 

Mas logico, se a criatura aguenta bem o frio, gosta de se enfurnar em cafes e restaurantes e quer ver uma paisagem inacreditavel, vai no inverno. A Paris Plages, que no verao fica cheia de gente tomando sol, no inverno fica branquinha de neve. Demais.

 

Ainda tivemos de tempo de conhecer um frances gente finissima, o Julien, que nos levou a passeios menos convencionais na cidade e tambem ao charmosissimo cafe da Amelie Poulain (nao tinha ido da outra vez).

 

Enfim ne gente, Paris eh Paris, tirei uma boa dumas ferias nesses dias que fiquei la, fugi um pouquinho do trabalho e dessa frenetica vida londrina. E de quebra bebi champanhe na Champs-Elisees, com um monte de turista doido. Valeu demais.

 

 

As imagens falam muito melhor que este textinho, entao vai la: fotos, tanto de Paris quanto Barcelona estao no orkut.

 

Proximo post: mais aventuras em Londres.

 

 


Definitivamente, a numero 1

novembro 3, 2008

 

Kate Moss esta no ar. Ela, que a exemplo da Gisele, nao eh uma mulher e sim uma entidade, estrela a campanha da colecao de inverno da badalada loja de roupas femininas Topshop. As fotos e as roupas sao divinas. Destaque para os vestidos, lindos de morrer. Meu favorito? Esse aqui do lado, de leopardo. Com essa bota ate o joelho entao, my goodness… Os precos ate que sao razoaveis, um vestido dos mais baratos sai na faixa de £60, e pode ser comprado pela internet. Quem esta no Brasil e tiver tranquilo com a taxa de conversao de 1 libra = 4.20 reais, vai pagar cerca de 300 reais para ter um vestidinho Topshop no armario.

Dai tu olha aqui as fotos e diz se nao eh para ficar sem ar?

 

Ja imagino elas espalhadas em outdoors, matando os transeuntes, em plena Trafalgar Square.